domingo, 19 de dezembro de 2010

Márcio Santos: Fiquei para Recuperação

Fiquei para Recuperação

Chega o último bimestre o mundo entra em um louco frenesi, pois todos querem acabar o ano com os planos traçados e concluídos. No meio desta correria que é o final de ano alguns filhos entregam adiantado o presente de natal que pai nenhum gosta de receber: Pai, fiquei para recuperação! É nesse momento dramático que alguns pais ensaiam seu discurso mais dramático sobre o estrago que a falta de estudo faz na vida de uma pessoa. Se o pai é uma pessoa de sucesso, desfila todos os seus diplomas e conquistas conseguidos através do grande esforço estudantil, se o contrário o pai não teve oportunidades ou as desperdiçou e hoje paga o preço da falta de uma educação satisfatória, desfila o rol de fracassos ou o quanto tem de se esforçar para conseguir o pão de cada dia. Estes discursos e broncas são ensaiados todos os anos em muitas casas.
Sabemos que o ensino no Brasil deixa a desejar e que o ambiente escolar é desestimulante tanto para o aprendizado quanto para o ensino. O Brasil ocupa apenas a 53ª posição em um ranking de 65 nações no que diz respeito ao desempenho de nossos alunos. Tudo isso aliado a uma política educacional pífia e uma economia que só agora está descobrindo que a educação é a chave para o crescimento da nação, realmente o cenário não é dos mais animadores, porém o meio influencia, mas não designa! Qual então é a sua parcela de culpa no fracasso escolar de seu filho?
É isso mesmo amigo, você tem uma participação significativa não só no sucesso escolar mas também no sucesso em tudo que seu filho empreender, mas vamos nos ater ao seu desempenho no ano letivo. Em quantas reuniões de pais e mestres você compareceu? Quantas vezes você inquiriu seu filho sobre como estava na escola? Você mostrou interesse por suas notas? Há muitas outras questões que poderia fazer, mas o espaço é pequeno.
Em qualquer reunião que um pai vá à escola ele ouvirá que o papel da escola é secundário no aprendizado da criança, no entanto uma das maiores reclamações que eu ouço dos professores quando vou a reunião dos meus filhos é que os pais dos alunos que realmente precisam melhorar, são os que pouco ou nunca comparecem às reuniões de pais e mestres. Infelizmente há uma legião de crianças abandonadas dentro de suas casas, sozinhas, desestimuladas e vendo a educação mais como um fardo do que como um benefício de médio e longo prazo. Há ainda os que ao invés de incentivar seus filhos mostrando os benefícios advindos da boa educação suborna-os prometendo presentes caso sejam promovidos em seus estudos, desvirtuando o valor da educação, pois um presente logo enjoa e é esquecido enquanto os recursos obtidos pelos estudos durarão por toda a vida e quiçá além. Quando o pai promete um presente para que o filho (que não vê motivos suficientes no estudo) passe de ano, abre um precedente para que no futuro ele avalie as situações sempre do ponto de vista do “o que eu ganho com isso” mirando apenas em satisfação instantânea.
Ao iniciar o novo ano você pai tem a responsabilidade de se envolver nos estudos dos seus filhos, participar de reuniões com os professores, interagir com ele em relação ao seu aprendizado, incentiva-lo a ser melhor e assim evitar a ser um pai que nem de recuperação fica, pois como pai será reprovado.

Texto de Márcio Santos visitem: http://serhomembasta.blogspot.com/

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